Messias não faz milagre: Senado barra indicação e STF continua sem novo apóstolo
Em um raro momento de independência institucional, ou desalinhamento celestial, o Senado rejeita Jorge Messias e impõe ao governo uma derrota com gosto de nota de rodapé histórica.
- Senado resolve lembrar que sabatina não é cerimônia de posse antecipada
- Governo sofre derrota simbólica daquelas que ecoam mais que discurso em rede nacional
- Messias entra para o seleto clube dos “não ungidos” ao STF
- Base aliada descobre que fidelidade política tem prazo de validade
- Oposição comemora como se tivesse descoberto a pólvora, ou pelo menos o regimento interno
Em Brasília, onde normalmente indicações ao Supremo Tribunal Federal passam com a tranquilidade de um cafezinho morno, o Senado decidiu surpreender, talvez por engano, talvez por convicção, e rejeitou o nome de Jorge Messias. Sim, rejeitou. Não pediu vista eterna, não fez cena protocolar: rejeitou mesmo, com todas as letras e votos.
O episódio, que já nasce com status de “momento raro da República”, marca a entrada de Messias em um grupo tão exclusivo quanto indesejado: o dos indicados ao STF que ouviram um sonoro “não” do Senado. Um clube pequeno, quase uma sociedade secreta, mas sem glamour e com bastante constrangimento.
Para o governo, a derrota tem aquele sabor agridoce típico de quem achava que estava jogando xadrez, mas percebe que o adversário resolveu aprender as regras no meio da partida. A articulação política, que costuma funcionar como um GPS infalível rumo à aprovação, dessa vez recalculou a rota direto para o congestionamento.
Já o Senado, frequentemente acusado de ser mais previsível que final de novela reprisada, resolveu inovar. Parlamentares, em um raro surto de autonomia, demonstraram que sabatina não precisa ser sinônimo de confirmação automática, uma descoberta quase revolucionária nos trópicos institucionais.
A oposição, claro, reagiu como quem acaba de vencer uma final de Copa do Mundo, ainda que o placar seja mais simbólico do que estrutural. Discursos inflamados, análises grandiosas e aquela tradicional superinterpretação de qualquer vitória episódica.
No fim, o STF segue aguardando seu novo integrante, o governo recalibrando sua bússola política, e o Senado, talvez sem querer, lembrando ao país que ainda pode existir como algo além de um cartório de decisões previamente combinadas.
Resta saber se foi um evento isolado ou o início de uma nova moda em Brasília, o que, convenhamos, seria mais surpreendente que qualquer milagre.
FONTES:
https://www.gazetadopovo.com.br/republica/senado-rejeita-indicacao-de-jorge-messias-para-o-stf/



